eu não sei o que mais possa fazer, não me sinto capaz de continuar, e isso assusta-me imenso.
não sei quando posto nova parte da história., a inpiração não me tem visitado. :x
“a vida continua”, é o que toda a gente me vai dizendo, enquanto me tentam consolar. E eu pergunto-me como, hoje faz três meses que me deixaste, deixaste-me de uma maneira impossível de conceber mesmo agora, não pude lutar por ti, não pude tentar fazer-te voltar para mim, porque no dia em que disseste para eu te apagar do meu coração, apagaste também a tua imagem, a tua vivência, a tua própria forma de ser. Sinto-me revoltada por não ter tido oportunidade de te fazer meu, quando era o que eu mais queria. Por apesar de teres acabado com o “nós” que existia, nem deixaste o meu “eu” salvar o teu “teu”. Ainda me pergunto como é que se passou, como é que deixaste este nosso mundo, penso sempre nisto nos meus momentos mais depressivos, gostava de saber se morrer dói, ou se apenas nos liberta. Nunca tinha pensado a sério nisto, mas quando comecei a perceber que esta mágoa que me deixaste no peito, nunca ia desaparecer, comecei a tentar ganhar coragem para, acabar com o espaço de tempo que faltava para nos encontrarmos de novo. Pensei nisso durante três meses. Até hoje. Andava a sentir-me mal, enjoada, e então decidi ir ao médico. Fiz análises ao sangue e esperei pelo resultado, sempre a pensar se afinal ia deixar este mundo sem ser considerada suicida. Mas quando a médica falou. Todas essas ideias apagaram-se da minha mente, «está grávida», repeti a palavra grávida. E ela disse-me que sim. E eu sorri. Tu desapareceste do meu mundo, mas deixaste-me uma parte de ti. E essa parte não me ia deixar ir ter contigo, mas eu não me importava, apesar de tudo, este era o sinal que eu podia continuar a viver sem ti, mas sempre contigo. 
tique-taque, tique-taque, tique-taque.. o relógio continua a fazer esse barulho irritante. situo-me num canto do quarto abraçada as pernas enquanto penso em tudo, mas aquele som não me deixa pensar. por isso levanto-me e com alguns movimentos retiro as pilhas ao relógio e volto ao meu lugar. lanço a cabeça para trás e tento visualisar a imagem do meu quarto, simples, ainda um pouco de menininha penso eu.(mas a minha mãe não quer renovar o quarto por agora), mas está demasiado escuro para conseguir ver algo nitido e a única coisa que vejo são sombras, sombras distorcidas de uma realidade infinita. nem sei porquê este meu estado de espirito, as férias de verão tinham acabado de começar, o sol estava no céu, e eu só queria aproveitar. sinto-me uma parva, uma completa e total palerma por estar assim aqui sentada na escuridão sem nada ter acontecido de realmente grave para me sentir assim, como ? só ? sim pode-se dizer que sim, sinto-me só, sem ninguém a quem me agarrar. sei que a culpa até é minha porque chega esta altura e a única coisa que eu não consigo é manter amizades, parece que afasto tudo e todos, apenas por ter vontade de ter uns minutos para mim, apenas por querer mudar, e querer voltar a supreender todo o mundo, e o apenas continua a perseguir, quase como se tivesse vontade própria, quase como se fizesse parte de uma metade da minha vida, naquela onde eu apenas vivo um dia de cada vez, ou apenas prefiro ficar em casa. sinto-me a correr de um lado para o outro sem ter tempo para mim, mas ao ver bem, como é que a minha vida se tornou tão vazia de um momento para o outro. não sei mas também não estou a espera de descobrir. levanto-me e vou até a janela, puxo a persiana para cima para o sol enviar luz para o meu quarto, mas ele não faz só isso, envia luz para mim, sua seguidora durante o dia. sinto-me a brilhar por fora e por dentro, e todas as minhas dúvidas e sentimentos de solidão desaparecem como por magia, e percebo que cometi um grande erro, não é a escuridão que me vai dar as respostas que eu preciso, mas sim, vai ser o sol a guiar-me até as metas que eu quero alcançar.